terça-feira, 4 de setembro de 2007

Testemunho

Cheguei de férias muito bem disposta. Havia ido a S. Pedro do Sul ao encontro da nossa genuína natureza e depois passei pelo Porto para ver Dali. Valeu a pena.

Não obstante, já sentia saudades de casa e, por isso, logo que cheguei, fui ver o Tejo. Alegremente, apanhei o metro para o Cais do Sodré. Eis senão quando se senta ao meu lado um ente do género masculino, que acomodando-se a gosto, ocupava a sua cadeira e parte da minha, desistindo de tal invasão apenas após eu lhe ter disparado olhares verdadeiramente hostís e bélicos!... Algumas paragens depois, entrou uma jovem chinesa, que se sentou diante de mim. Ao seu lado encontrava-se o amigo do meu “vizinho”, o qual, tal como o seu amigo, aparentava sofrer de qualquer mal no baixo ventre, mantinha as pernas abertas, ocupando, assim, o seu assento e parte do da jovem mulher chinesa, a qual muito encolhidinha e curvada, se havia posicionado no outro extremo do seu respectivo lugar, sacrificando-se…

De tais bestas, não sei a proveniência, credo, capacidade económica… nem creio que tal seja relevante. Deambula por aí muito portuga, que sofre da mesma maleita na tomateira, impedindo a consumação da civilidade. É um mal do qual se não vislumbra o fim e para o qual não há técnica óptima que se invente!...

O fatídico episódio ainda me dói, mais de uma semana volvida. Não fora uma réstia do encantamento que trago da visita a Dali e a memória de sábias palavras ouvidas por outras mulheres sobre casos paralelos, faltar-me-iam, com certeza, as forças para reiniciar o ano judicial.

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Entretanto, ao Cais do Sodré, a magia do Tejo permanece.



Um grande abraço

Ana Damião

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