terça-feira, 21 de agosto de 2007

(Re)começando com o absurdo

Agora sim, posso escrever, passada que é a minha aventura choque, que manterei em segredo. Só comentanto umas idiotices - capa de uma revista, com uma retocadissima foto de Tom Cruise. «O mundo não sabe o que pensar de Tom Cruise». Claro que passamos noites sem dormir com este problema mundial. Por isso se justifica que se guarde o espaço de uma capa de revista para esta foto, importantissima para o nosso futuro imediato e que preocupa toda a gente.

Depois, quando se pretende falar de alguma coisa diferente, não há espaço.

Ninguém comenta que se diga que "num restaurante o ambiente é táo poluído quanto a Av. da Liberdade, a rua mais poluida de Lisboa". Preocupados, os fundamentalistas antitabágicos estão apoiando a lei proibindo o fumo em restaurantes. Só me pergunto se a avenida não seria o problema urgente a tratar. Sou implicitamente estupida.

Isto de nos preocuparmos com a poluição em que vivemos, não a que escolhemos, mas a que nos é imposta pela péssima gestão camarária, pela cobardia de enfrentar os reais problemas do quotidiano, não é concerteza bem visto. Que importa que a Avenida da Liberdade envenene as pessoas! Importante é o restaurante da esquina.

Não percebi que tratar da poluição com realismo iria incomodar muita gente. Implicaria despesas om os tais púbicos transportes, incomodaria os automobilizados que teriam de passar a andar de metro e autocarros e que, esses sim, são gente importante. Mais fácil é tão só a repressão e controlo de cidadãos e cidadãs de forma individual. O que neste momento é muito mais bem visto.Controlo, poder sobre os outros, proibições e direitos perdidos. O que não se perdeu foi o salazarismo incrustado nas nossa mentes.

Quero mais tarde comentar com alguma troça, a esmolinha dada a quem tiver filhos. Medida de grande alcance social que irá pôr todas as mulheres a produzir (ou será reproduzir?)para o bem da nação.

Que a nação não são as mulheres, mas uma entidade indefinida, com várias exclusões, rosto masculino e preocupaçóes monetárias. Dinheiro e futebol, sim, são coisas sérias, mas gente? Só abstraindo e agarrando o mito com toda a força para que não fuja.

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